terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Por que você?

Porque às vezes você é esquiva, silenciosa, com feriadas antigas, desvia o olhar e olha para o nada. Porque você é o tipo de garota que se tem que gostar com cuidado e com atenção, para que você não fique fria e dura como uma estátua de gesso, para que você não se feche em si mesma como um caracol triste. Porque você me fez ver filmes fodas e me ensinou a entender coisas que meus olhos veem mas antes eu não ligava. Porque você é doce do seu jeito. A primeira coisa que me atraiu foi o jeito que você me olhou. Não era um olhar qualquer, era cheio de contrastes e de pequenos olhares uns dentro dos outros como as ondas de um mar calmo. Porque você tremia quando eu te tocava, e isso entregava tudo. Porque eu não quero ir para lugar nenhum, apenas ficar em seus olhos. Porque eu sinto que quero dar o melhor de mim para você, mesmo não sabendo o que é o melhor de mim, mesmo sem saber se há algo de melhor em mim. 

sábado, 9 de janeiro de 2016

Por uma antropologia menor

Em minha tese escrevi dois capítulos que possuem um sentido mais antropológico. O que eu disse lá foi muito pouco e muito pontual. Não foi nada de novo. Outras pessoas já disseram, e bem melhor. Ainda bem, porque isso me ajuda a entender o quão pequeno sou como ser humano, e como, na busca das respostas de minhas questões principais, apesar de urgentes, me aproprio com humildade de coisas alheias. Não quero enrolar muito nessa conversa e vou dizer logo o que quero dizer, mostrando meu enfrentamento e minhas conclusões mais explicitas. Meus dois capítulos antropológicos podem ser resumidos nestas palavras: precisamos perder a vergonha e apenas ser. Precisamos fazer isso já. E para somente ser precisamos aprender a lidar com nossa falta de transparência no agora. É fazer surgir, assim, um self despido de tudo, sobretudo de metafísica e arrogância, de grandiosidade e de medo. É fazer surgir um quase nada, algo que é muito pouco. Pode ser que sobre apenas uma sede a ser saciada, uma necessidade de tomar um banho, uma vontade de ficar um pouco quieto e sozinho, Uma coisa é certa: o que vai resultar dessa antropologia é sempre algo menor, muito menor.